quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Entrevista concedida - Supervalorizar o que considera um defeito traz baixa autoestima

Um simples detalhe pode fazer grande diferença na vida da mulher

Por Tany Souza - Site Arca Universal
 
A balança mostra que está acima do peso, o rosto já não é como antes e o corpo é repleto de defeitos. Essas podem ser algumas observações – principalmente de mulheres – capazes de levar a uma autoestima frágil, com possibilidade até mesmo de interferir na relação com as pessoas ao redor.
 
Para a psicóloga Roseleide da Silva Santos, o problema se agrava quando a mulher tem outras coisas como referência. “Há quem se ache gorda, por exemplo, porque sabe que tal peso corresponde a ser gorda ou magra, conforme os padrões da sociedade. Mas o pior é quando se sente gorda mesmo estando com peso abaixo da média.”
 
Essa maneira como a mulher se percebe pode interferir na forma como ela se relaciona com o outro. “Voltando no mesmo exemplo, quando a mulher se sente gorda, inevitavelmente está se comparando a outra pessoa, e isso é um grande problema que muitas têm: não se aceitar”, enfatiza Roseleide.
 
A mulher deve analisar outros fatores antes de considerar um detalhe como algo grave e que deve ser rapidamente mudado. “Ela precisa analisar o seu biotipo, herança genética, estilo de vida e saber que esse é o corpo que pode ter e não aquele que gostaria de ter, vendido como um corpo de mulher ideal, que é alta, magra e loira.”
 
O começo do problema
 
Quando a mulher não está dentro desse perfil rotulado, sua autoestima começa a ser afetada drasticamente. “Ela se sente rejeitada, frustrada, à margem da sociedade. Além de não se aceitar como é, por não estar conforme os padrões impostos”, explica a psicóloga.
 
É claro que se cuidar para manter a beleza natural e se sentir melhor consigo é algo benéfico, mas o problema nasce quando a vida da mulher fica somente em torno disso. “Excede aquilo que é saudável, o que é possível fazer dentro de sua realidade, porque não aceita estar fora do que é adequado segundo as regras impostas. É dessa forma que a mulher começa, muitas vezes, a se deformar, de tanto desejar ser e ter características de outras pessoas, que nem sempre ornam com seu corpo e estilo - além de se endividar cada vez mais.”
 
Começa aí também um consumismo desenfreado, em busca do padrão imposto, para, assim, se aceitar. “A consequência é se tornar um produto da mídia, da sociedade, da cultura, e deixar de ser ela mesma, de ter uma identidade pessoal e autêntica”, finaliza Roseleide.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Entrevista Concedida - Relacionamento amoroso depende de saber lidar com as divergências

Os defeitos da pessoa amada devem ser vistos como uma diferença de personalidade e de opinião

Por Tany Souza - Site Arca Universal


Todo relacionamento passa por altos e baixos. Mas é na fase “baixa” que os companheiros começam a implicar com coisas que antes não faziam diferença. Uma toalha pendurada em outro lugar, uma palavra mal colocada em alguma conversa, enfim, as pequenas diferenças começam a ser defeitos.

Para a psicóloga Roseleide da Silva Santos não há defeitos, pois o ser humano é imperfeito. “O que há são opiniões divergentes. Dizer que o outro tem defeito é se achar melhor que ele. As diferenças entre o casal podem ser consideradas motivos de desgaste ou do desenvolvimento do relacionamento.”

E para uma relação amorosa sobreviver às divergências é preciso que ambos desejem que o relacionamento flua. “Para funcionar, é preciso tolerar as diferenças. Desta forma, o casal se afina, tudo combina e o relacionamento torna-se confortável para os dois. Caso não aconteça essa tolerância, uma divergência pequena se torna grandiosa.”

É preciso ir além

Além da tolerância, é preciso aceitar a pessoa do jeito que ela é e considerar os pontos positivos da relação. “Se o lado bom do relacionamento prevalece, então vale o esforço e a dedicação em relevar alguns momentos. Porém, isso não significa que deve concordar com tudo, mas aceitar o que o outro também tem a dizer e trazer isso em uma conversa saudável. Gostar do outro somente pelo que ele tem de positivo ou porque suas características são parecidas é tarefa fácil”, enfatiza Roseleide.

Para ela, um casamento é um investimento que trará ganhos para ambos. “Mas não é uma tarefa fácil, porque é preciso haver trocas, tolerância, admitir erros e fracassos. O casamento é uma via de mão dupla.”

Além dessa reciprocidade no relacionamento é preciso muita compreensão para que a relação dure, mesmo com todas as divergências. “Um tem que entender o tempo do outro, se sensibilizar em prol da outra pessoa, falar e calar na hora certa, sempre alternando as posições, fazendo uma leitura do que está acontecendo para agir da melhor forma”, finaliza a psicóloga.