quinta-feira, 27 de agosto de 2020

27 de Agosto - Dia do Psicólogo

 


É com muita alegria que hoje, 27 de agosto - dia do psicólogo, comemoro esta data porque há 20 anos a exerço com orgulho. Nessa caminhada aprendi, ensinei, me emocionei, sofri, ajudei, estudei (muito), enfim, vivi intensamente. Obrigada aos meus clientes, professores, colegas de profissão e a todos que me acompanharam nessa jornada. Parabéns a nós profissionais essenciais, hoje e sempre! @amomuitoserpsicologa @felizdiadopsicologo


quarta-feira, 27 de maio de 2020

Robert Pattinson como Batman: Por que tanto hate dos fãs?


Ator entrou para a lista de escolhas que dividiram opinões: quando a opinião dá lugar à intolerância?

Victor Aliaga 


Quando Robert Pattinson foi escolhido para ser o novo Batman do cinema, os fãs ficaram divididos. Considerado um dos melhores e mais versáteis atores de sua geração, quem acompanha a carreira do ator ficou tranquilo com a escolha; no entanto, outra parcela não aprovou a contratação, disse que ele precisaria "fazer muita musculação" e até o estigmatizou como o eterno Edward Cullen da Saga Crepúsculo.

Passados uns meses, entramos em quarentena por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e, em entrevista à GQ, Pattinson declarou que não está malhando e aproveitou para reclamar da cultura de estar sempre em forma: "Ninguém fazia isso nos anos 1970. James Dean não era exatamente rasgado", disse. Afinal, quem está certo: o ator, que não quer seguir estereótipos de beleza, ou o fã, que quer um Batman malhado e com gominhos no abdômen no cinema?
Histórico de má aceitação nerd.

Esta não é a primeira nem será a última ocasião em que fãs xingarão muito no Twitter com escolhas de atores para adaptações ao cinema e à TV. Recentemente, apenas com a hipótese de Michael B. Jordan ser o primeiro Superman negro nas telonas, houve relutância por uma "descaracterização" do personagem -- perceba que o ator sequer foi confirmado no papel.

Estelar na série Titãs foi outro caso polêmico. A atriz Anna Diop, escalada para viver Kory Anders, virou alvo de ataques nas redes sociais por, novamente, "descaracterizar" a imagem de Estelar que os fãs tinham dos quadrinhos. Diop, uma mulher negra, interpreta uma alienígena com a pele alaranjada e cabelo escarlate.

Bem semelhante à Estelar foi o Doutor Manhattan na série Watchmen. No filme de Zack Snyder, Billy Crudup deu vida ao ser superpoderoso, enquanto que no seriado da HBO, Yahya Abdul-Mateen II se encarregou do papel. Novamente, reclamações pelo resultado final do personagem, representado por um ator negro e com mudanças em relação à criação de Alan Moore e Dave Gibbons nos quadrinhos.

Nestes três casos, a reclamação do nerd deu lugar ao racismo puro, com argumentos como "e se um ator branco fosse escolhido para interpretar um personagem negro, o que vocês achariam?", como se isso já não acontecesse e não fosse absurdo o bastante para se usar como contra-ponto. Basta ler em voz alta para perceber o ridículo e o intolerante.

Barbara Demerov, crítica de cinema do AdoroCinema, recorda três casos dessa má aceitação com mudanças em adaptações: Gênio de Will Smith, Gal Gadot como Mulher-Maravilha e Henry Cavill como Geralt de Rívia, na série The Witcher.

"Reclamaram do Gênio de Will Smith, sem saberem exatamente que o personagem seria azul na maior parte do filme. Gal Gadot é mundialmente reconhecida hoje por ser 'a' Mulher-Maravilha, mas também lembro muito bem do quanto reclamaram que seu corpo não era o ideal para interpretar a heroína", recorda. "E como esquecer de Henry Cavill sendo super julgado na primeira imagem de divulgação de The Witcher? Acho que ele fez um bom papel na série, mas as pessoas já julgaram fortemente de início, sem nem esperarem por trailers."

O mesmo julgamento caiu nas costas de Heath Ledger, que quando escalado para ser o Coringa de Batman: O Cavaleiro das Trevas pelo diretor Christopher Nolan, ainda tinha o filme O Segredo de Brokeback Mountain (2005) fresco na memória de fãs intolerantes que não suportavam um “Coringa homossexual”. Todos que duvidavam de Ledger ficaram de queixo caído com a performance final, que lhe rendeu um Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante.

Vale resgatar também o caso Michael Keaton, o Bruce Wayne de Tim Burton em Batman (1989). Sem corpo atlético, o abdômen definido de Keaton se limitava àquele do traje borrachudo, que sequer tinha movimento de pescoço. Isso sem contar que um dos trabalhos mais recentes do ator havia sido o surtado Beetlejuice, em Os Fantasmas Se Divertem (1988). Dois personagens distintos, totalmente opostos. Por que, no fim das contas, muitos atores se movem por novos desafios e evitam repetir papéis.

"Acredito que a caracterização fiel é um bom começo para termos uma primeira impressão positiva com relação a um ator ou atriz interpretando um personagem fictício", pontua Demerov. "Mas essa impressão só fica quando a performance também é bem feita e fiel à sua essência. É um trabalho complexo que anda de mãos dadas com o visual esperado e a captação exata da personalidade do personagem."

"O mais importante é a essência ser mantida, porque a própria palavra 'adaptação' já deixa claro que podem haver mudanças", constata. "E não devemos esquecer, também, que a nossa própria mente já cria uma certa expectativa com relação a personagens que já gostamos - e talvez seja por isso que as pessoas sempre foram tão apegadas ao visual perfeito acima de qualquer coisa, mesmo antes de conferir o resultado completo."

Barbara Demerov, por sinal, aprovou a escolha de Robert Pattinson como Batman e aposta em uma versão "mais intimista e misteriosa de Bruce Wayne".

Identificação do fã com o personagem
“A maneira como elegemos algum personagem como ídolo deve-se, muitas vezes, pela identificação de alguma característica deste com cada um de nós”, explica Roseleide da Silva Santos, psicóloga da Clínica de Psicologia Viver com Qualidade. “Essa familiaridade pode nos remeter a uma fantasia de que é possível transferir tudo aquilo que não conseguimos realizar em nossa vida a esse; ou seja, idealizamos que essa figura seja competente em sanar nossas carências e, consequentemente, nos fazer sentir plenos.”

Para Roseleide, é possível que o espelhamento entre a pessoa e o personagem explique tal obsessão de ver a obra adaptada fielmente. “A semelhança entre ambos é tanta que acaba por acontecer uma fusão entre o personagem e o sujeito que o admira. Desta forma, a possível descaracterização do personagem pode remeter a uma 'auto-descaracterização'. A possibilidade de mudanças no personagem, sejam elas quais forem, pode desencadear um quadro de instabilidade porque os retira da zona de conforto”, diz.

“Mudar é sair do contexto que é entendido de uma determinada maneira, e isso traz inquietação. À medida que ocorre um distanciamento daquilo que é conhecido, gera-se um desconforto em que se depara com o novo, isto é, implica em encarar o desconhecido, o inesperado”, observa a psicóloga. “E, nessa circunstância, despertam-se dúvidas sobre como será lidar nesse cenário, o que pode provocar um estado de insegurança.”

A psicóloga ainda menciona um fator sempre constante no universo da cultura pop: a criação de expectativas, normalmente elevadas. “É uma aspiração pessoal que diz respeito ao que cada um espera sobre como suas necessidades, anseios e/ou desejos serão atendidos -- mas isso deve ser realizado individualmente e não transferido ao outro. Por isso, nos frustramos”, diz. “Ao nos sentirmos frustrados, condição fundamental à nossa existência, aproximamo-nos de um comportamento geralmente hostil, uma vez que algumas pessoas possuem baixa tolerância a serem contrariadas.”

Com a frustração de não ter as expectativas atendidas, o fã age com hostilidade, e “como exemplo da dificuldade de suportar tal situação, podemos verificar a maneira agressiva de demonstrar alguma insatisfação pois, para muitos, discordância é sinônimo de ataque pessoal”, conclui.

O fã tem poder de mover montanhas (e destruí-las).
O fã nunca teve tanta voz na cultura pop. Foram eles que decidiram se o Robin deveria morrer ou não no arco Morte em Família (1988-1989), quando a DC Comics deu essa opção por telefone, sendo um marco nos quadrinhos.

Hoje, são os mesmos fãs que reclamam do visual do Sonic e conseguem que ele seja refeito antes do lançamento. São eles que criam petições, sobem hashtags de #ReleaseTheSnyderCut e fazem tanto barulho a ponto do estúdio repensar e dar a eles o que querem: uma Liga da Justiça versão Zack Snyder. É admirável e, ao mesmo tempo, preocupante. É muito poder dado às comunidades. E elas são capazes de mover montanhas ou de destruí-las.

Nas horas de raiva, quando um personagem querido seu receber uma adaptação no cinema ou na TV que não atenda às suas expectativas, tenha sua opinião, é seu direito como fã. Mas nada justifica o ataque aos profissionais envolvidos ou ao coletivo. Aproveite sua fidelidade com as obras e pense no que Tio Ben diria nesta situação. Quem sabe algo como "com grandes poderes na internet, vêm grandes responsabilidades de saber dialogar".



https://br.ign.com/batman-1/82000/feature/robert-pattinson-como-batman-por-que-tanto-hate-dos-fas








segunda-feira, 4 de maio de 2020

Como The Sims se torna um alívio em meio à quarentena

Fazer festas, visitar os vizinhos e reunir a galera no churrasco: aqui você pode


Carol Costa


Talvez você tenha percebido que, de algumas semanas para cá, The Sims parece mais presente nas timelines das redes sociais. Aliado aos recentes descontos do game na Origin, a quarentena proporciona um momento muito atrativo para o retorno à vizinhança dos Sims.

Não é difícil imaginar os motivos. Sendo um  simulador de  vida, o jogo oferece um alívio àqueles que estão se adaptando aos poucos à nova rotina de quarentena, além de ser um excelente recurso para aliviar o stress, conforme reportado por este estudo.
Desde os primórdios na companhia das famílias Novato e Caixão, The Sims oferece possibilidades de viver uma vida fiel à realidade, ou totalmente fora da caixa -- o que é mais legal, convenhamos.
A vida como ela (não) é
Enquanto algumas pessoas estão aproveitando os desafios da vida real para reproduzí-los no game, como o “Quarantine Challenge” (que, conforme relatado em alguns fóruns do jogo, pode seguir regras como: não sair de casa, só pegar a pizza após o entregador deixar na porta e etc.) outras estão jogando para poder vivenciar no jogo o que as limitações atuais impedem, como este jogador que recriou a si e os amigos para celebrarem sua festa de aniversário.
“Estou reunindo mais os amigos e familiares nas casas. Fazendo mais eventos sociais e colocando eles para interagirem”, conta a social media Malu dos Reis, que joga desde 2005, em entrevista ao IGN Brasil. Entre seus hobbies preferidos no jogo estão construir árvores genealógicas e alcançar as metas dos Sims. “Sem cheat”, ressalta.
The Sims virou um ponto de fuga e distração para Malu, que relata conseguir desconectar das preocupações ao se concentrar no jogo e a respeitar seus horários de lazer. “Sinto que com as mudanças e adaptações de trabalho em casa, não tenho mais dia na semana. Todos os dias são iguais -- com trabalho e preocupações. Meu cérebro fica conectado 24 horas por dia para resolver problemas. Quando eu respeito meu tempo e tiro umas horas no dia pra jogar me desconecto completamente.”
A publicitária Aline Rotta, que joga The Sims desde 2010, conta que a quarentena promoveu mais tempo livre para o jogo. Apesar de suas ações preferidas em The Sims envolverem a criação e decoração de casas e ambientes, poder interagir com os vizinhos dentro do game tem soado uma possibilidade mais atrativa no momento. “De alguma forma, levar os Sims a outros lugares me faz sentir saudade dessa interação na vida real”. Aline conta que outras amigas estão jogando mais neste período de quarentena e conversando entre si sobre o jogo.
O caso é semelhante ao de Bruno Cintra, técnico de obras, que joga The Sims há 17 anos. Apesar de não sentir diferença no modo que tem jogado atualmente, Bruno conta que voltou a jogar recentemente durante o período em que está em casa. ”Fazia anos que eu não jogava. Esses dias me bateu saudade daqueles momentos, aí instalei e voltei a jogar. Acho que pelo saudosismo acabei fazendo as coisas que já fazia antes no jogo.” Para honrar o hobby antigo, Bruno diz que não pretende ficar mais tanto tempo sem jogar de novo, mesmo que a volta à rotina diminua o tempo livre.
Malu, por outro lado, acredita que a experiência de jogar durante a quarentena pode mudar completamente sua visão sobre The Sims. “Acho que, no futuro, não vai ser como está sendo, acho que vou aproveitar de uma forma diferente. Talvez menos, talvez mais. Mas definitivamente diferente”, conclui.

A psicologia explica

Games de simulação de vida, como The Sims ou mesmo Animal Crossing, podem ajudar a atenuar os efeitos nocivos do isolamento social pelo qual estamos passando.
“O contexto atual da quarentena, em que somos obrigados a evitar o contato social, nos afeta de forma diferenciada e solicita que nos reorganizemos em todos os aspectos do cotidiano”, explica Roseleide da Silva Santos, psicóloga da Clínica de Psicologia Viver com Qualidade. “Essa instabilidade social nos chega como uma agressão e faz com que nos sintamos vulneráveis. Diante desse ambiente hostil vamos pesquisar em nosso meio aquilo que nos propicia um equilíbrio ou fonte de prazer, e é aí que a procura por jogos virtuais pode aumentar. O importante é saber qual é a finalidade dessa prática.”
De acordo com a psicóloga, as atividades lúdicas favorecem o conhecimento e a compreensão do que sentimos por oferecerem um momento de descontração, no qual nos sentimos à vontade, e por incentivar a criatividade, já que quanto maior a nossa capacidade de criação, maiores serão os recursos que encontraremos para enfrentar momentos de adversidade.
Claro que, como todo e qualquer hábito, tudo deve ser aproveitado com parcimônia, sem exageros. A fuga total da realidade, se demasiadamente frequente, pode atrapalhar nossa capacidade de autocompreensão e ignorar sentimentos importantes, passando da jogatina saudável para uma prática que merece atenção.
“Por ser um simulador da vida real, o jogo apresenta a chance de você definir o destino da própria vida e de outros. Deslumbrados por uma fascinante sensação de poder (ilusória) os jogadores podem se confundir com essa realidade virtual e tentar reproduzir o mesmo na vida real”, explica Roseleide. “Nessa circunstância há ingênua e, principalmente, insegura sensação de ‘controle da vida’ porque se crê que possuímos o comando sobre tudo e todos e a vida pode ser exatamente como queremos”, conclui a psicóloga.
Sendo assim, aproveite com sabedoria os recursos lúdicos a sua disposição para lidar da melhor forma com o período que estamos vivendo -- seja construindo mansões incríveis ou dando festas com os vizinhos em The Sims (e, por enquanto, só no The Sims, ok?).