Minha cliente que, gentil, amorosa e generosamente, concedeu a autorização da publicação de sua poesia.
as reminiscências do que vivi
não têm começo ou fim
apenas meio, vago.
o todo é uma mistura
de sonhos e acontecimentos
do que eu (não) vivi
como um alzheimer reverso
só lembro do presente
que depois, vira passado
e eu já não sei mais
do fundo do meu cerne
regurgito a inquietude gritante
de sensações,
de sensos,
desse composto mutante
as palavras se confundem
minha fala é uma
linhacontínuadeerros
(...)
eu juro,
aqui dentro faz sentido
mas mãe,
me leva de volta para o teu ventre.
aqui fora não é para mim,
que tenta desvendar
e compreender todo mistério,
ter certeza.
ninguém deveria nascer
querendo saber tanto,
mãe,
senhora de todas as verdades,
me ensina a viver conforme
mãe.
---
o que sei de tudo isso
vem de escassas, turvas memórias.
mas esse passo lento
há de mostrar algo que valha.
e vai...
de cá, pra lá
(nunca de lá, pra cá)
pai, ladrão e demente
todo tipo de gente
segue a mesma direção;
é o ciclo de uma só mão.
Antologia Poética, Prêmio Sarau Brasil, Edição 2014
Organização e Apresentação, Isaac Almeida Ramos
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terça-feira, 21 de outubro de 2014
A Infindável crise - Giulia Alves
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terça-feira, 20 de março de 2012
Crônica da Loucura - Luis Fernando Veríssimo
O melhor da terapia é ficar observando os meus colegas loucos.
Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.
Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.
Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.
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| Luis Fernando Veríssimo |
Ninguém olha para ninguém. O silencio é uma loucura. E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão, vejamos:
Na última quarta-feira, estávamos:
1. Eu
2. Um crioulinho muito bem vestido,
3. Um senhor de uns cinqüenta anos e
4. Uma velha gorda.
1) Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do principio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.
(2) O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o namoro e não conseguiu entrar como sócio do "Harmonia do Samba"? notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro.Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro.
Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.
(3) E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos?
Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa.
Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.
Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa.
Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.
4) Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.
Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista.
Conto para ele a minha "viagem" na sala de espera.
Ele ri, ..... ri muito, o meu psicanalista, e diz:
O Ditinho é o nosso office-boy.
O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.
E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe.
- E você, não vai ter alta tão cedo...
Luis Fernando Veríssimo
Luis Fernando Veríssimo
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quarta-feira, 27 de julho de 2011
Tudo o que você sempre quis perguntar para um psicólogo e nunca teve oportunidade...
Todas as perguntas foram e ainda são feitas por pessoas que nos procuram:
1. Psicólogo é médico de "louco"?
Não. O psicólogo atende pessoas que num determinado momento de suas vidas, sentem-se confusos, com dúvidas a respeito de questões como trabalho , amor, vida familiar, relacionamentos afetivos e etc., e que com o auxílio deste profissional busca encontrar sua estabilidade emocional. O que não significa loucura e sim a possibilidade de autoconhecimento.
2. Qual a diferença entre psiquiatra e psicólogo?
O psiquiatra é um médico especializado em transtornos mentais (esquizofrenia, transtornos de humor, depressão, pânico e etc.), que se utiliza da prescrição de medicamentos para atenuar esses transtornos. O psicólogo não é um médico, portanto, não receita nenhum tipo de medicamento e o objetivo de seu trabalho é facilitar a compreensão e entendimento que cada pessoa tem a seu próprio respeito, promovendo assim, maior consciência pessoal e sobre todas as relações mantidas pelo individuo, bem como, sua mudança de comportamento. Em alguns momentos faz-se necessário um trabalho em conjunto destes profissionais visando o bem estar do cliente.
3. O que é o que se faz numa psicoterapia?
Psicoterapia é um processo que consiste em favorecer o auto-conhecimento através do reconhecimento de seus recursos pessoais (potencialidade, competências, desejos, necessidades) promovendo uma melhor qualidade de vida pessoal e nas diversas formas de relacionamentos. O processo psicoterapêutico é realizado, geralmente, uma vez por semana, com duração de 01 (uma) hora na qual psicólogo e cliente irão discutir sobre as questões eleitas importantes para o cliente e que o fazem sofrer.
4. O psicólogo "muda" a minha cabeça?
Não, não é o psicólogo que muda a sua cabeça, mas você que reflete a respeito das questões discutidas e se for necessário e aceito por você poderão ocorrer mudanças. O papel do psicólogo não é de "fazer a cabeça" das pessoas e sim aceita-las sem julgamentos, preconceitos e ajudá-las a atingir seus objetivos pessoais independentemente em que área da vida (trabalho, relacionamentos, amizade, sexualidade etc.).
5. Todo mundo precisa de Psicoterapia?
No Brasil quase não se trabalha de forma preventiva, o que acaba acontecendo igualmente na Psicologia, ou seja, as pessoas acabam procurando a psicoterapia somente quando estão com muitos problemas. Então você procura esse serviço quando tem um problema afetivo, relacional e profissional ou até pode procurar para prevenir possíveis problemas em sua vida.
6. Qual é a duração de uma Psicoterapia?
Não há como determinar precisamente a duração, depende da necessidade de cada cliente, pois como já dissemos a psicoterapia é um processo e cada pessoa vai atingir seus objetivos no "seu tempo".
7. Como não posso pagar aonde encontro esse serviço gratuitamente?
Você pode encontrar atendimento gratuito nas Universidades que possuem cursos de Psicologia. Os atendimentos são realizados por alunos, mas com supervisão de profissionais capacitados e experientes. Já nos consultórios particulares os atendimentos são cobrados e cada profissional estabelece o valor dos seus honorários.
8. O que são terapias alternativas ? Tem alguma relação com a Psicologia?
São todas as práticas não reconhecidas cientificamente e que não tem comprovação de sua eficácia, dependendo em muito da crença pessoal. Nestas incluem-se: florais de Bach, regressão de vidas passadas, aromaterapia, cromoterapia, parapsicologia, runas, tarô e etc. Estas práticas não podem ser exercidas por um psicólogo e o Conselho Federal de Psicologia proíbe legalmente, podendo o profissional perder seu direito de exercer a profissão. Não é o objetivo da Psicologia denegrir estas práticas, somente elas não tem relação com a Ciência.
9. O psicólogo pode mudar a orientação sexual de alguém?
De forma alguma. Assim como não é possível mudar definitivamente nenhuma característica física (altura, cor de pele, olhos e etc.). Inclusive existem maus profissionais promovendo "tratamentos" para a homossexualidade, como se esta característica pessoal fosse de fato uma doença. Esses profissionais devem ser denunciados ao Conselho Regional de Psicologia, pois existe também lei que proíbe a inclusão de práticas discriminatórias com relação à orientação sexual.
Ao fazer essa escolha deve-se levar em consideração o fato de sentir-se à vontade com esse profissional, sentir confiança e credibilidade em seu trabalho.
11. Todo psicólogo trabalha da mesma forma?
Cada profissional tem a sua linha de trabalho que vem a ser a sua identidade, isto é, a maneira que acredita ser a mais adequada e que atende às necessidades daquela pessoa que procura por sua orientação. Como alguns exemplos podemos citar: Psicanálise, Cognitiva, Comportamental, Gestalt-Terapia, Reichiana, Junguiana, Winnicotiana, Fenomenologia, Existencialismo dentre outras.
12. Como é a relação psicólogo-cliente?
A relação é construída tendo como base a honestidade, franqueza, confiança, diálogo aberto e sem julgamentos e preconceitos e afetividade. Ela difere de uma relação de amizade pois existem objetivos profissionais.
Ainda restaram dúvidas? Escreva-me e terei prazer em respondê-las!
Um grande abraço e até a próxima semana!
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