segunda-feira, 4 de junho de 2012

Entrevista concedida - Pais não devem idealizar a profissão dos filhos

 O papel dos pais é direcionar e orientar, e não determinar o que ele terá como ofício

Por Tany Souza - Site Arca Universal



Mal a criança nasceu e já tem pais querendo que o filho seja jogador de futebol, mães que desejam que a menina seja modelo ou bailarina. Mas até onde os pais podem e devem intervir nessa escolha?

Para a psicóloga Roseleide da Silva Santos o primeiro passo é não arquitetar o que o filho pode ser. “É preciso tomar cuidado porque esta idealização interfere sim, porém a criança deve ter condições para desenvolver suas habilidades naturais, vocações, aptidões. Há uma grande diferença entre o que os pais querem e o que realmente o filho pode ser.”

Ela também explica que os pais podem ajudar, mas não determinar. “Se o filho gostar da proposta, se demonstrar algum interesse, tudo bem. Mas o que não pode é conceber uma ideia e obrigá-lo ou persuadi-lo àquilo.”

O direcionamento

Os pais possuem um papel de suma importância quando seus filhos começam a pensar em sua futura profissão, pois são eles que podem esclarecer as dúvidas. “É na adolescência que os filhos começam a recorrer aos pais para saber a opinião. Eles podem contar o que o filho gostava quando era mais novo e onde encontrava dificuldade, ou seja, podem ajudá-lo no processo de reconhecer suas habilidades”, ensina Roseleide.

Ela enfatiza que o papel dos pais está em orientar, para que o filho não se sinta coagido e intimidado a fazer a vontade deles. “Por isso, o ideal é orientar e não determinar. É aceitar uma proposta diferente, estimulá-lo a isso e não transformar a dúvida em atrito, mas em momento de reflexão. A família tem que ser acolhedora e não ter o papel de repreender.”

Esse direcionamento dos pais é para que o filho entenda o real significado de ter uma profissão. “Além de ganhar dinheiro, o objetivo de ter uma carreira é encontrar um espaço para ser o que é, reconhecendo-se no ofício”, esclarece a psicóloga.

Caso contrário é o filho quem sentirá e sofrerá mais as consequências dessa interferência enfática. “Ele não se sentirá feliz, mas sim completamente insatisfeito com aquilo que faz. E isso acontece porque desde o início os pais não tiveram a visão do que o filho é, mas sim do que eles gostariam que fosse”, finaliza Roseleide.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Entrevista Concedida - Um relacionamento dominador nasce pela falta de amor próprio

E as mulheres não são as únicas a passar por isso

Por Tany Souza - Site Arca Universal 

“Mulher de malandro. Essa gosta de apanhar!” Ou: “Ele me maltrata, mas o amo, por isso consigo suportar!” Essas são algumas das frases que já ouvimos sobre ou das mulheres que se submetem à falta de carinho, atenção e até mesmo suportam a violência física e emocional. Mas isso também pode acontecer com os homens.

É o que ressalta a psicóloga Roseleide da Silva Santos. “Para existir um dominado, há um dominador, e o papel de dominado nem sempre é da mulher. Ambos podem se sujeitar a uma situação e se satisfazer por migalhas, porque a autoestima está tão reduzida, que não conseguem perceber que aquilo faz mal.”

No começo desse tipo de relação, a pessoa não sente que está sendo levada a um relacionamento de humilhação. “E assim começa a viver em função do outro, não faz investimento pessoal, não considera a sua própria vida como importante. Um amor real faz prosperar, evoluir como pessoa, abre a vida para coisas novas e boas.”

Sentimento mútuo

Roseleide explica que uma relação assim não pode ser chamada de amor, porque esse sentimento permite a troca. “Quando vemos uma mulher, ou homem, que ‘ama’ alguém e não é correspondido, é maltratado, não podemos chamar de amor, pois o amor é um sentimento mútuo. Podemos dizer que uma pessoa que se relaciona dessa forma não tem amor próprio, não se respeita, se anula, se destrói, se sujeita a isso para ter o amor do outro.”

É por causa dessa sujeição, dessa humilhação desmedida, que o outro se sente no direito de desrespeitar e de dominar cada vez mais. “E a pessoa se humilha mais para ter do outro o que não tem dela mesma. É um destrato pessoal, humilhação, que ela interpreta como amor”, aponta Roseleide.

Essa entrega sem limites acontece porque a pessoa dominada não conhece o real significado do amor. “Se eu não sei o que é amar, eu transfiro para o outro a responsabilidade, conquisto alguém para que me ame. E isso acontece porque a pessoa não sabe o que é viver um amor saudável, de troca de sentimentos. Temos que aprender que necessitamos do outro, mas não dependemos dele.”

A porta de saída

Romper com essa “bola de neve” que se torna um relacionamento dominador é uma questão de consciência, de se auto-observar. “Quando a pessoa sente que está sendo maltratada, tem a sensação e a percepção da falta de respeito, da humilhação, quando o apreço pessoal começa a questionar tudo o que está vivendo e para onde essa relação a está levando, começa a fase de se desvencilhar da relação”, ressalta a psicóloga.

Mas o problema pode ser maior se a pessoa não conseguir romper a tempo com esse sofrimento e humilhação. “Porque pode evoluir para uma relação obsessiva, se tornando patológica. É o que mais vemos na televisão, homens e mulheres que são capazes de tirar suas próprias vidas, e a do outro, por uma relação doentia, que eles chamam de amor”, finaliza a psicóloga.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Entrevista Concedida - Quem toma as decisões familiares?

Depende do tipo de relação escolhido pelo casal

Por Tany Souza – Site Arca Universal

Há alguns anos, o homem era quem comandava a casa e a família. Isso porque somente ele trabalhava fora e tinha a obrigação de manter tudo com o salário que recebia. Com o desenvolvimento da sociedade, a mulher precisou, mas também desejou, ir ao mercado de trabalho, para conquistar o seu espaço profissional e financeiro. Mas será que isso mudou a maneira de tomar decisões dentro da família?

Para a psicóloga Roseleide da Silva Santos, houve sim uma mudança, pois ambos começam a decidir dentro da casa. “Como ela também trabalha, pode contribuir para as decisões da família e não é somente o homem que tem esse papel de chefe do lar. Porém, hoje em dia os casamentos estão entrando em atrito justamente por causa disso, pois a mulher não aceita mais a posição de obediência ao que o marido decidir.”

Isso acontece porque as relações humanas – e conjugais – estão sempre em constante mudança, devido às transformações econômicas, culturais, sociais. “É por isso que hoje as decisões tomadas não são somente do homem. Antes era só desse jeito, hoje existem outras possibilidades de dinâmica entre o casal. Eles se adaptam à realidade que criam: se definem que será o homem a tomar decisões, tudo bem, se os dois, tudo bem também. Tudo depende de como é bom para um relacionamento saudável entre eles”, explica Roseleide.

A psicóloga esclarece que estamos vivendo um momento de transição, onde cada casal cria o seu jeito de organizar a casa. “Porém, é importante ressaltar que, se a mulher considera que depender do marido a torna segura, isso não é saudável, mas é uma dependência. Mas, se ela o tem como um amparo, contando com uma ajuda, isso é o adequado. Um casamento tem que ser ‘nós’ e não ‘eu’.”

Em conjunto, em casal

Segundo Roseleide, viver um casamento é saber dividir as decisões e responsabilidades. “Estar casado é não se isentar da decisão, é estar com o outro, ao seu lado. Às vezes, é pesado para o homem determinar algo. Dividir isso em parceria deixa o casamento e a situação em questão mais leve. É complicado exigir do outro o que nós mesmos não seríamos capazes de fazer sozinhos.”

E essa divisão de responsabilidade na tomada de decisões traz bons exemplos para os filhos. “Eles aprenderão que a vida é de partilha, que não somos autossuficientes, e que sempre podemos precisar do auxílio do outro, a qualquer momento. Em uma relação onde há troca, há sempre ajuda”, finaliza Roseleide.


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Entrevista concedida - Ociosidade feminina pode ser indício de depressão

Mas isso depende do momento de cada mulher


Por Tany Souza - Site Arca Universal

Estar em férias, desempregado ou até mesmo passando por um momento difícil da vida, como perder um ente querido, por exemplo, pode ser um momento de ociosidade. Porém, esperar a vida passar sem fazer nada, ser acomodada, não é nada benéfico para a mulher – ou para qualquer pessoa.

Segundo a psicóloga Roseleide da Silva Santos, o ser humano está sempre propenso a julgar. “Quando vemos alguém sem fazer nada, logo imaginamos que ele está ocioso, e que é uma pessoa encostada na vida. Mas nem sempre a ociosidade é assim. Às vezes, a pessoa está precisando de um tempo para se adequar a uma nova realidade, para tomar alguma decisão, fazer uma reflexão pessoal.”

Porém, a psicóloga alerta: esse tempo de ociosidade não pode ser prolongado. “Quando uma mulher entra na estagnação e não consegue sair, está se sentindo impotente em relação a si mesma, e talvez já tenha entrado em um episódio depressivo, que é o momento do abatimento, da frustração, da falta de perspectiva pontual. Caso o ócio não esteja no caráter de descanso, ele sinaliza algo que precisa ser descoberto.”


É claro que esta ociosidade profunda pode trazer consequências. “Mesmo ela se sentindo satisfeita com sua ociosidade, não deve considerar isso um problema, mas o comportamento é caracterizado como uma passividade e isso não é positivo, porque ficará estagnada. Um ser humano não é um ser para ficar parado, ele precisa se relacionar com outras pessoas para estar em constante desenvolvimento com o outro”, explica Roseleide.


Porém, se a mulher tiver consciência da sua ociosidade e mesmo assim não desejar sair disso, é preciso mostrar a ela que esta permanência não é boa para si e para a sua relação com a família. “Desta forma, ela está adoentada, já tem grandes perdas e está sendo prejudicada por isso. Uma conversa com alguém próximo talvez a ajude a sair desta vida ociosa, mas pode acontecer também o contrário. É preciso ter referência do por quê está em depressão”, diz.

Não seja ociosa

A psicóloga enfatiza alguns pontos importantes em relação à ociosidade feminina:

- ela tem que entender o que isso implica na vida dela, se é uma escolha ou resultado de algo que acontece. No último caso, deve-se acender um sinal de alerta.

- mantenha o contato com as outras pessoas e reflita sempre sobre as opiniões individuais.

- mantenha-se ocupada com coisas que a realizem na sua vida profissional, social e familiar.

Roseleide também ressalta que a ociosidade depende de um contexto. “Para o outro pode ser ruim, mas para a pessoa não. Geralmente julgamos o que significa a situação, mas nunca interpretamos o ser humano como único e isso é errado.”


A escritora Cristiane Cardoso, em seu livro “A Mulher V”, diz que a mulher tem que sempre se manter ocupada. “Não deixe que a sua mente fique vazia. Concentre-se em alguma coisa e, quando terminar, concentre-se em outra coisa, até que esteja bem cansada e só lhe restem forças para ir para a cama.

”Porém, ela adverte que a mulher não pode se ocupar com qualquer coisa. “Certifique-se de que se ocupe primeiro com as coisas que só você pode fazer como cuidar da sua saúde, da sua vida espiritual, dar mais de si, ser responsável e ser você mesma”, finaliza Cristiane.